Capital intelectual e inovação
O grande desafio da atualidade nas organizações é a capacidade de desenvolver vantagens competitivas que lhes assegurem acompanhar o ritmo alucinante das mudanças e um lugar de destaque no futuro em meio à concorrência global.
Na era do conhecimento e da informação, as pessoas tornaram-se o principal ativo e o capital intelectual o instrumento que estimula a renovação e o desenvolvimento das organizações.
Se até bem pouco tempo a gestão de pessoas nas empresas ainda era fortemente influenciada pelas ideias advindas de modelos fabris focados em processos, atualmente está claro que o caminho para o desenvolvimento e para a construção de diferenciais passa necessariamente pela gestão do conhecimento.
Na era da informação e da hiper conectividade, a adoção de modelos de gestão de pessoas que favoreçam o estímulo à troca de experiências contribui para a co-criação de conhecimentos e ajuda as empresas a identificar pontos suscetíveis de melhoria.
Baseados na gestão participativa e compartilhada, esses novos modelos aproximam as pessoas, catalisam as alternativas de soluções e favorecem o aprendizado.
O papel dos líderes diante desse novo ambiente organizacional é desafiador, já que os organogramas agora estão reorganizados de forma mais horizontalizada, reduzindo o controle pela autoridade, aproximando níveis hierárquicos, diminuindo a formalidade e aumentando a autonomia dos liderados.
Esse rearranjo também agrega novas responsabilidades aos funcionários, uma vez que aumenta a expectativa da empresa e dos líderes em torno de suas contribuições individuais em prol do alcance dos objetivos estratégicos da empresa.
O resultado dessa mudança de cultura – de foco em Processos para foco em Pessoas – é a adoção de um novo perfil ideal de funcionário. Entra em cena a busca por “talentos”. Pessoas com maior qualificação, bom nível de auto-conhecimento, com mais atitude e que, efetivamente, possam agregar maior valor e conhecimentos à organização e sua estratégia.
Segundo João Baptista Brandão, “...por talento, entendemos pessoas cujos valores, visão, competências técnicas e gerenciais são consideradas chave, importantes diferenciais para o sucesso da organização... O talento que, efetivamente, agrega valor à empresa tem sido associado à capacidade que as organizações têm de aprender, de renovar o conhecimento – contínua e persistentemente – para elevarem seus níveis de competitividade”.
Por isso o capital intelectual passou a ser visto como o instrumento que estimula a renovação e o desenvolvimento das organizações, uma vez que a inovação encontra terreno fértil para florescer em grupos compostos por pessoas muito talentosas, que tenham sido bem selecionadas, orientadas, motivadas, acompanhadas e alocadas em cargos compatíveis com suas habilidades e competências e onde seu conhecimento individual coaduna com os objetivos estratégicos da empresa e contribui para o alcance dos resultados e construção de um aprendizado que pode ser acessado por todos na organização.
Nesse nível, assume vital importância a boa gestão da base de conhecimentos resultantes da soma do capital intelectual de cada colaborador, no sentido de transformá-la em ações conjuntas e inovadoras orientadas para o alcance dos objetivos estratégicos da organização. Eis a chave para a construção de diferenciais competitivos sustentáveis.
É fácil perceber a importância do Capital Intelectual como gerador de inovação e competitividade ao analisarmos o exemplo da Apple.
Steve Jobs, seu fundador e CEO até sua morte no ano passado, exerceu a liderança de um grupo de pessoas altamente talentosas e orientou suas competências na direção do alcance de uma visão:... mudar o mundo através da tecnologia.
Os resultados todos nós conhecemos.



