COMPETÊNCIA COMEÇA COM ATITUDE!
As últimas capas de renomadas revistas brasileiras de recursos humanos e gestão trazem matérias falando de pleno emprego ao mesmo tempo em que abordam a dificuldade das empresas em preencher vagas e de muitos candidatos preparados em conseguir uma oportunidade. A princípio parece um paradoxo, mas avaliando essa situação mais a fundo me permiti apontar como causa principal desse problema a dificuldade de encontrar pessoas com ATITUDES nobres e positivas, normalmente ligadas a: ética, pró-atividade, entusiasmo, generosidade, autoestima, determinação e abertura mental para aprender coisas novas.
No início as empresas elevaram muito a “régua” no estabelecimento de pré-requisitos, com excesso de exigências em termos de conhecimentos e habilidades. Entretanto, em um cenário de economia aquecida e alta concorrência, aquelas que esperavam encontrar no mercado pessoas “prontas” que aliassem formação de qualidade a tempo de experiência não tiveram sucesso. Decidiram então baixar a “régua” e aceitaram flexibilizar os requisitos de conhecimentos e habilidades, instituindo programas de estágio e trainee para complementar as deficiências dos candidatos. Nesse ponto, voltaram suas exigências para a identificação de ATITUDES nobres e positivas dos candidatos. Mas por esse filtro pouquíssimas pessoas têm conseguido passar. Muito em decorrência de nossa cultura de valorização do chamado “jeitinho brasileiro”, cuja informalidade, desvios de conduta e excessiva flexibilidade entram em choque com as regras, normas e rotinas do ambiente empresarial. E não há como instituir um programa para ensinar isso aos candidatos, pois ATITUDES têm a ver com a essência e personalidade da pessoa, construídas ao longo de toda a sua formação como indivíduo a partir da educação recebida em casa, na escola e influenciadas pelo meio em que esteve inserida.
O resultado é que muitos candidatos portadores de excelentes currículos não apresentam as ATITUDES e valores que as empresas estão procurando e terminam sendo reprovados nos processos seletivos.
De um lado a inflexibilidade das empresas quanto a esse fator deixa vagas em aberto e de outro a dificuldade em adequar ATITUDES arraigadas ao longo de toda uma vida às exigidas dos processos seletivos tiram a oportunidade dos candidatos que permanecem desempregados.
Mas como resolver esse impasse?
Talvez o primeiro passo seja lembrar que COMPETÊNCIA é a soma de três aspectos:
· CONHECIMENTOS
· HABILIDADES
· ... mas, antes de tudo: ATITUDES!
E, está mais do que provado, que as ATITUDES têm um peso maior nessa tríade. São as atitudes que somam qualidade à forma como servimos às pessoas, enquanto conhecimentos e habilidades são apenas os meios que utilizamos para tal.
Penso que devemos nos preocupar mais em prover a nossos filhos aquilo que será verdadeiramente útil para que se tornem pessoas muito TALENTOSAS: as ATITUDES certas. Lembrando que estas são aprendidas por meio da transmissão de valores nobres, pela força do exemplo – que nada mais é do que a repetição de nossas ATITUDES por nossos filhos a partir da observação – e pelo exercício da negação quando acharmos que isso for edificante para impor limites e firmar a noção do respeito pelos outros.
Que possamos escolher as escolas onde vamos matricular nossos filhos com base no quanto elas podem contribuir nesse sentido, agindo como coadjuvantes na educação de valores e ATITUDES antes até do que na oportunidade de acesso ao conhecimento científico.
Assim estaremos contribuindo para aumentar suas chances de sucesso quando as oportunidades se apresentarem, como agora!
Mas como isso é uma estratégia de longo prazo, por ora só resta às empresas garimparem os poucos candidatos que já tenham em sua essência as ATITUDES certas, em um processo permanente e muito eficiente de recrutamento e seleção, além de estruturarem propostas tentadoras para retenção de talentos, evitando perdê-los para a concorrência, cada vez mais acirrada.
Pelo que tenho visto, vai demorar muito para que possamos ter gente COMPETENTE suficiente para preencher todas as vagas em aberto.



