CONCORRÊNCIA DES[LEAL] NA DISPUTA POR TALENTOS?
Todo empresário já deveria saber que a concorrência entre as empresas a muito extrapolou os limites do seu bairro, cidade, estado e país. O conceito de economia globalizada já é coisa do século passado e hoje está tão incorporado ao nosso dia-a-dia que sequer notamos as consequências dessa revolução. No Brasil, essa foi uma das poucas boas heranças do governo Collor: a abertura da economia.
Desde então, as empresas brasileiras vêm correndo atrás dos prejuízos advindos dos anos de reserva de mercado que fizeram com que parassem de inovar, acomodadas pela falta de concorrência e pela hiperinflação que corroia mais do que apenas os salários, mas também inviabilizava planos de longo prazo e investimentos produtivos.
O fato é que hoje os concorrentes estão na China, na Índia, na Europa, EUA, Japão e em qualquer lugar do mundo em que o custo de mão de obra, produção e logística são muito menores e os investimentos em educação, tecnologia e inovação, infinitamente maiores do que os nossos, minando nossa capacidade de competir. Para piorar ainda mais o cenário, a recessão mundial e a demanda interna aquecida do Brasil fazem do nosso mercado a bola da vez e o alvo de muitas empresas competentes que virão buscar sua fatia de mercado e remuneração de seu capital.
A soma de todos esses fatores tem resultados que vão muito além da perda de vantagem competitiva em termos de produtos/serviços e de market share por nossas empresas, já que muitas multinacionais estão preferindo se instalar no Brasil e, com isso, demandando mão-de-obra [competente]. Com um poder de atração e retenção de talentos muito maior do que o das empresas nacionais por seu nível de profissionalismo administrativo, projetos de gestão de pessoas envolvendo remuneração e motivação baseados na meritocracia, pesados investimentos em treinamentos de alto nível, periódicos e patrocinados (não raro atrelados a programas de trainee/estágio e/ou universidades corporativas), valor de marca, estrutura física moderna, tecnologia de ponta suportando processos, etc... coisas com as quais muitas de nossas empresas sequer tem familiaridade, elas estão roubando a cena na atração de talentos.
O resumo da ópera é que nossa falta de competitividade hoje é muito mais crítica na capacidade de atrair e reter talentos do que no desenvolvimento de produtos/serviços diferenciados ou na conquista e fidelização de clientes. E não conseguir reter os talentos que, por acaso, tenham em seus quadros é outro ponto que está tirando o sono de muitos gerentes e diretores de RH dessas empresas. Como a lei da oferta x demanda se aplica também às pessoas, em especial àquelas mais talentosas e competentes, empresas com ofertas de trabalho mais completas em termos de realização profissional e recompensa estão atraindo mais talentos do que as que não investem na construção de diferenciais para esse fim, contribuindo para o agravamento do desequilíbrio competitivo.
É o que chamo de concorrência des[leal] - empresas [des]preparadas perdendo a [leal]dade de seus funcinários. Essas vão sofrer ainda mais por "falta de mão-de-obra" qualificada. Minha recomendação a todos os empresários que estão apenas constatando essa dificuldade e atribuindo a culpa à falta de investimentos do governo em educação de qualidade, capacitação técnica, falta de motivação das pessoas, etc, etc;... que parem de esperar e invistam hoje mesmo na construção dos diferenciais que vão garantir à sua empresa melhorar sua competitividade nessa guerra por talentos que estamos vivendo hoje e que só tende a piorar, visando atrair e reter as melhores pessoas que são o grande diferencial competitivo, raro e inimitável com o qual podem contar para sobrevevir nesse novo cenário de acirrada concorrência mundial.
Sigefredo Pacheco
Consultor do Grupo Ponto de Referência


